sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ode a uma padeira com alma de princesa

Adoro os teus primeiros toques desajeitados e alegres nas raquetes...
as tuas gargalhadas ao entrar no mar com o teu pai, que falam sobre o mais puro prazer de entrar na água.
Adoro a tua capacidade de te empenharas na resolução dos problemas dos adultos, sobre como construir um galinheiro ou vedar a horta
Adoro os teus ensaios de arqueóloga quando procuras, numa parede antiga, uma janela entaipada
Adoro o que pensas sobre eutanasiar esse insecto moribundo que tu classificas de "em sofrimento". Adoro quereres ser tu a virá-lo para cima, a esse pobre infeliz destinado a morrer de patas para o ar. Adoro que, ao vê-lo sofrer, digas que talvez o melhor seja calcá-lo para acabar com o seu sofrimento e servir de alimento para os filhos das formigas.
Adoro que respondas, de forma prática, quando te coloco a questão:
- E se ele viesse a conseguir sobreviver?
- Olha, temos pena.
Mas adoro igualmente que não tenhas coragem para o matar, como se tivesses já consciência do valor supremo da vida
Adoro os teus pequenos dedos a percorrer as linhas do meu rosto, como se me tivesses a desenhar. E gostaria que, se me pudesses redesenhar, me retirasses o ar triste e zangado que marca o meu rosto de adulta 
Adoro quando, com um livro pousado nas pernas, levantas a cabeça e dizes com um ar sonhador "Quem me dera saber ler!..."
Adoro a tua ideia de fazer pulseiras para ajudar a ganhar dinheiro para a família
Adoro todas as tuas perguntas: sobre as tampas de saneamento, sobre as bóias do rio, sobre como apareceu o primeiro homem e a primeira cadeira, sobre as estrelas, o infinito e o fim do tempo...
Adoro a tua alegria e as tuas gargalhadas
Adoro para ti ser divertimento suficiente seguir as minhas pegadas na areia
E adoro a tua língua de fora quando enches um balde de areia, como se não houvesse mais mundo para além desse momento
E adoro quando pegas numa borracha para apagar uma linha "mal feita"
Adoro quando dizes "adoro" e a quantidade de vezes que dizes "adoro"
Adoro quando vês em tudo um bebe para embalar, até um montinho de algas que recolhes nos teus braços junto ao mar
E adoro quando admiras o facto de uma pedrinha ser tão pequenina ou de uma concha ser tão grande
Adoro como para ti tudo é tão fácil, simples e prático
Adoro a tua complacência, a tua paz de espírito, a tua imunidade à mesquinhez, o teu gosto em rir e fazer rir
Os segredos do mundo inteiro estão guardados na tua paz. És tu quem tem todas as respostas que eu procuro. Basta que eu te ouça e te observe.
Se eu acreditasse em Deus pedia-lhe que te conservasse sempre essa força enorme, essa capacidade de seres feliz na adversidade
Mas, como não acredito, resta-me encarregar-me de assegurar a paz necessária para que cresças assim como és: curiosa, observadora, feliz, pensadora q.b., sabendo separar o trigo do joio, sabendo questionar, avaliar e escolher como tu tão bem sabes agora. E sabendo "afastar-te do mal" como tu bem sabes agora.
A tua pequena consciência brota do teu cérebro com seis anos como não brota de grande parte dos humanos adultos deste planeta
És muito grande. Tudo no teu corpo é ainda tão pequeno ainda mas a tua alma é já enorme.
Sabes ao certo o tempo que se deve despender na resolução de problemas impossíveis
Distingues os meninos bem comportados dos mal comportados mas brincas também com estes. Com um sorriso, encolhendo os ombros dizes que o J. é muito tolo...
Toda a gente parece gostar de ti mas parece ser-te indiferente se alguém não gosta. Se alguma atitude nos teus colegas não te agrada, viras costas no momento e já me aconselhaste a fazer o mesmo
Por mim, nomeava-te desde já "Alta Conselheira para a Construção da Paz no Mundo"
Porque te sinto capaz de resolver todos os conflitos mundiais.
Será este o nosso destino? Nascer sábios e aprendermos (ou não) a ser estúpidos?
Adoro a forma como pegas em todos os bichos sem nojo: nas galinhas, nos licranços e nos escaravelhos... Essa familiaridade com as outras formas de vida espanta-me, maravilha-me e apaixona-me.
Se eu pudesse renascer queria ser como tu. Feita "à tua imagem e semelhança"
E pergunto-me, perante tudo isto, se serás capaz de perdoar todos os defeitos da tua mãe. E de não te deixar contagiar pela minha zanga universal...

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Centro Histórico do Porto – Preservar para quê?



Há dias perguntava a uns turistas franceses o que tinham achado do Porto. De entre todos os elogios e considerações ficou-me esta observação: “Impressiona porque se vê que a guerra não passou por aqui”. Eram pessoas oriundas de um lugar que havia sido completamente arrasado durante a 2ª Guerra Mundial. Arrasado e reconstruido. E as pessoas lamentavam as perdas a todos os níveis mas, neste caso, patrimoniais e históricas.

É certo que as cidades se transformam ao longo da história mas também é certo que a classificação do Porto como Património Cultural da Humanidade pela Unesco, em 1996, se deve ao grau de preservação da sua identidade arquitetónica e urbanística e à sua autenticidade... E, convenhamos, a classificação do património faz-se com o intuito de preservar.

No momento da sua classificação o Porto era uma cidade preservada. Preservada mas decadente. Uma cidade de casas abandonadas, uma cidade com um enorme potencial, que urgia proteger e requalificar, mau-grado todas as reabilitações levadas a cabo desde os anos 70.

Ainda hoje isto é verdade mas estamos em tempos de mudança e a mudança neste momento faz-se a grande velocidade. À semelhança do que parece ter acontecido no século XIX, em que grande parte dos edifícios foram renovados, hoje o Porto está em obras.

O Porto está em obras por várias razões. A sua classificação impulsionou o investimento na reabilitação; a legislação sobre arrendamento alterou-se fazendo com seja, novamente, rentável reabilitar; as pessoas querem voltar a viver na cidade. Sobretudo, a cidade encheu-se de milhares de turistas, vindos de todos os cantos do mundo para conhecer esta cidade tão bonita, tão singular, tão preservada, tão cheia de História e de histórias, tão autêntica, tão cheia de pormenores nas suas fachadas, tão cheias de becos, ruelas e escadas disfuncionais mas belas...

E nós, portugueses e portueneses, que não somos “morcões”, queremos aproveitar esta oportunidade e beneficiar das receitas que estes milhares de turistas trazem à cidade e ao país... E para o fazer abrimos restaurantes, museus, lojas de artesanato, serviços de aluguer de bicicletas, autocarros turísticos, agências de viagens, hotéis e alojamentos e tudo o que nos lembre, a nós, gente empreendedora que, abandonada pela crise, se desunha para ganhar o pão.

Está tudo certo. Mas não está. Porque nesta febre de reabilitação corremos o risco de desvirtuar o carácter da cidade e destruir aquilo que nos fez merecer a classificação e que nos traz os milhares de estrangeiros todos os dias.

Paulatinamente, edifício a edifício, substituímos portas maciças e nas portas as ferragens e os batentes, substituímos caixilharias de janelas, cheias de detalhe de marceneiros de outros tempos por caixilharias mais pobres, por vezes simplificadas, por vezes fracas imitações, por vezes vidros lisos... E, por vezes, não. Por vezes, há pessoas que percebem a importância de manter o original. E optam por soluções menos invasivas, pela preservação de soluções estéticas, por conservar e restaurar os materiais originais ou substituir por réplicas fiéis. Mas, por vezes poucas...

Por vezes substituem-se os azulejos antigos por azulejos novos, quando era possível restaurar e manter os antigos, quando as entidades de tutela “mandam” que se mantenha a fachada. Quase sempre destroem-se os interiores: as escadas helicoidais em madeira iluminadas pelas características clarabóias, os soalhos, os tetos em estuque, os rodapés altos, as ombreiras das portas, as portas interiores encimadas por bandeiras, as janelas interiores que da pouca luz fazem muita. Soluções iluminadas de quem só tinha duas estreitas fachadas e uma clarabóia e com isso conseguia uma casa cheia de luz. Soluções de arquitetos de outros tempos, arquitetos com outro tempo. Um tempo em que tudo se fazia mais devagar, um tempo em que se construia para viver. Um tempo diferente do nosso, em que se destrói para sobreviver...

Ou talvez não. Talvez se destrua por ganancia, por ignorância, por desconhecer que restaurar pode, para além de tudo, ser mais barato do que reconstruir (é urgente desfazer o mito). Por desconhecer ou não querer saber que esse turista que procura o autêntico, o detalhe, a história e as história, um dia poderá não voltar mais. Poderá não voltar por desilusão, por já não ver na cidade o património classificado. Ou porque os habituais destinos turísticos – hoje postos de lado pelas guerras e pela ameaça terrorista – voltaram a estar em paz. Ou porque o petróleo se esgotou e se acabaram as viagens “low cost”.

Em todos os casos o que estamos a fazer é um erro crasso. É um erro na perspetiva da rentabilização económica por via do turismo. É um erro porque nos arriscamos a perder a classificação. É um erro porque reabilitamos para turismo, optando por soluções que condicionam o uso dos espaços para esse fim, invalidando uma fácil reconversão para fins habitacionais (vislumbro, nos seus futuros corredores desertos, um triciclo de criança fazendo um circuito solitário e aterrorizante, qual Shining...). É um erro porque sim, porque recebemos uma cidade do passado que temos obrigação de transportar para o futuro em melhores condições. Não é nosso o património. Por isso é considerado património, por isso é da humanidade, por isso é mundial. E nós não somos a humanidade, pois a nossa passagem é breve. Nós não temos uma perspetiva “mundial” quando apenas cuidados de interesses individuais e a curto prazo. O património deixará de o ser se o descaracterizarmos. Por isso, acima de tudo, não temos legitimidade para o destruir. É uma questão de princípio.

Preservar o Centro Histórico do Porto para quê? Para preservar a história, a autenticidade e a beleza da nossa cidade. Para reabilitarmos uma cidade que se quer habitada e que se quer visitada. Porque as pessoas que aqui vivem têm direito a não emigrar, a criar o seu emprego, a beneficiar da conjuntura turística favorável. Preservar esta cidade é desenvolvê-la de forma sustentada, para que no futuro, independentemente das conjunturas, ela possa ser uma cidade com vida, mas vida que preserve a alma.

Ela pode e deve continuar a ser um grande destino turístico, o turismo é bem vindo numa cidade que carece de sustento, o sustento outrora dado pela indústria e pelo comércio.

Ela pode e deve ser um lugar habitado, habitado pelas velhas gentes do Porto e pelas novas. Dessa mistura nascerá, sem dúvida, uma cidade mais rica e diversa.

O que ela não precisa é de elefantes brancos, hotéis gigantescos cujas reabilitações destroem completamente os seus interiores e descaracterizam fachadas, ultrapassando qualquer norma ou diretriz das entidades que tutelam o património. São modelos de edifícios cujas dimensão e exigências funcionais não se compatibilizam com a preservação de antigos edifícios habitacionais. Façam-se, portanto, fora do Centro Histórico do Porto. Ou não se façam de todo! Ou, excecionalmente, façam-se dentro de edifícios cuja função se perdeu e que não tenham outra solução adequada, como antigos armazéns, edifícios industriais (e mesmo assim há que ver com calma, caso a caso. Ponderar...).

Enquanto as entidades de tutela se permitem permitir este desastre, alguns particulares honram a cidade e património, optando pelo restauro. Outros sucumbem ao lobby da construção civil e das soluções aparentemente fáceis.

Falta debater amplamente este tema e falta apoiar quem quer reabilitar, como outrora se fez em Guimarães, cidade com um trabalho exemplar, a este nível. Falta ter coragem de dizer “não” aos grandes grupos económicos que apenas visam o lucro imediato. Infelizmente não é a eles – com dinheiro farto mas estreiteza de vistas – que compete defender o património e a cidade. Defender o Porto compete às entidades que tutelam o património e a construção, que deviam ser mais normativas e restritivas e menos tolerantes com os atropelos constantes às suas próprias diretrizes.

E compete-nos a nós, cidadãos que amamos esta cidade e que a queremos habitada, limpa, reabilitada mas autêntica. Que queremos turismo mas de turistas que voltem e tornem a voltar.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Julia's dream



Hoje tive um sonho muito xiro... Sonhei com o César, o Tiago e aquela menina (Isabel). O Tiago tinha-me posto uma coisa assim na cabeça com um coração aqui (na testa). Quando eu precisava, carregava no botão (coração) e todos os amigos vinham ajudar-me.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Questões sobre o infinito e boas razões para não tentar explicar o processo de hominização a uma criança de 5 anos


Mãe, quantas línguas há no mundo?
-Não sei filha, pr'aí cem, não sei...
- Cem? A sério?... Cem mais cem?
- Duzentos.
- Duzentos e vinte?
- Não. Cem mais cem são duzentos, mais 20 são duzentos e vinte.
- Até quando se pode contar?
- Até sempre. Podes começar agora a contar e só parar quando morreres. Nunca acaba. É infinito.
- O que mais é que é infinito?
- Ah... Muitas coisas. Neste caso são os números. Dorme filha, que já é tarde...
- O mundo é infinito?
- O Planeta terra não. Um dia vai morrer porque depende do sol. E o sol, como todas as estrelas vai morrer.
- Pois é, as estrelas morrem.
- Quando o sol morrer o planeta terra também morre. Mas isso é daqui a muito, muito tempo, muitos milhões de anos.
- A sério? A terra vai morrer?
- Sim. Mas é daqui a muito tempo. Nós já estaremos mortas há milhões de anos.
- Eu não queria morrer...
- Não te preocupes com isso, faltam muitos, muitos anos. O resto do mundo existe para sempre, com estrelas sempre a morrer e outras a nascer.
- Mãe, és tu a dizer hoje. Diz! (Oração da noite inventada pela Júlia e que ajuda a dormir melhor)
- Meu amor, minha querida, eu gosto muito de ti. Eu nunca te vou deixar sozinha. Dorme bem meu amor. (beijo na testa)

(…)
- No início não havia vida na terra. E já havia pessoas. Como?
- Não. Não havia pessoas.
- Oh! (bate na cabeça). Pois é.

(…)
(Na quinta de Sto. Inácio)
- Estás a ver filha, os macacos...? olha como são parecidos connosco. Olha as mãos, filha, olha as mãos...
- Vamos embora.
(mais adiante)
- Mãe, há algum sítio no mundo onde neste momento os macacos se estejam a transformar em pessoas?
- Não, não, não. Os macacos não se transformam em pessoas. Há muitos milhões de anos é que havia um seres parecidos com os macacos que depois se transformaram - mas ao longo de muitos milhares de anos - em pessoas e em macacos. Por isso nós e os macacos somos primos.

(…)
(Passado cerca de um mês)
- Mãe, tu ainda chegaste a ser uma espécie de macaco?
- Não, nunca. Já nasci pessoa. Isso foi há muitos milhares de anos. Nem eu, nem a avó Luzia sequer tínhamos nascido.
- E o pai?

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

5 anos: torrente de perguntas




Júlia. Cinco anos. Sentada no sofá. Olhar posto lá fora.


"- Mãe... Como apareceu a primeira pessoa?"
Longa resposta da mãe: que não foi de um dia para o outro, que o planeta terra quando nasceu não tinha vida... o primeiro mamífero... uma longa transformação... os nossos antepassados braqueadores... a semelhança com os nossos primos chimpanzés... a evolução das mãos, a criação de objetos, a descoberta do fogo, a caça e a linguagem, as cabanas e andar de terra em terra, a a perseguição das manadas, as alterações climatéricas, a actividade recolectora, a observação do crescimento das plantas e a invenção da agricultura, fomos deixando de andar atrás dos animais...
Ufa, como é difícil explicar isto a uma criança de 5 anos!
"- E... como apareceram as lareiras, as cadeiras, os brinquedos, os sofás, os carros...?"
Vou respondendo a tudo até saciar a curiosidade da menina. Deita-se no sofá, encosta a cabeça para adormecer.
"-Mãe, continua a contar mais coisas."
Este é o maior prazer da maternidade. Ver um ser humano a crescer.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sara, tu foste feita para este país mas este país não foi feito para ti

Sara, tu foste feita para este país mas este país não foi feito para ti.
Trazes as rochas da tua terra contigo desde criança e desde criança te debruças, observas, interrogas. Será mesmo verdade que existe uma grade ouro no fundo do poço do castelo? Será mesmo verdade que dentro do branco quartzo existe ouro? Dentro do quartzo que, pequenina, tentavas carregar para casa, para saber, para descobrir... E que o teu pai - grande pai - já não se lembra mas te ajudou a transportar com o amor à tua curiosidade que crescia contigo.
PAIXÃO, Sara, é a palavra que usas e é a palavra que te define. Agora és crescida e dobras uma folha de papel para nos explicar como Valongo se elevou acima do nível do mar. Já não acreditas em grades de ouro mas guardas o encanto do conhecimento. Agora olhas para as pedras que recolheste e etiquetaste e sabes explicar a idade delas, a sua formação e composição.
E a força de mulher é a mesma que outrora usaste, em menina, para quebrar o quartzo à procura do ouro.
PAIXÃO é a palavra que usas e paixão é a palavra que te define. Corres por montes e vales da tua terra e continuas a parar para observar e recolher, como outrora. Chegas a casa e etiquetas. Levas crianças contigo à procura de fósseis e acontece de elas encontrarem trilobites completas que tu adoravas ter mas que entendes pertencerem à menina que a encontrou. A ti não te pagam para levares crianças às montanhas, para as ensinar a olhar o mundo de longe e de perto. A amar, conhecer e questionar.
PAIXÃO é a palvra que usas e paixão é a palavra que te define. Os meninos da tua terra deixam pedras que os teus pais encontram junto ao portão. O teu trabalho nada tem a ver com a tua paixão. Os teus pais sabem o significado dessas pedras à porta de casa. Pedras vulgares, pedras sem interesse mas nas quais está escrita a palavra "porquê", que tu lhes ensinaste.
Sara, ouço o lamento dos teus pais e de todos os pais deste país que sofrem mais do que os filhos porque toda a vida trabalharam para que os filhos pudessem estudar aquilo que os fascinava. Os teus pais foram enganados, Sara, porque este país deitou fora os lugares que existiam para pessoas como tu. E substituiu-os por cadeirões de reis imbecis, incapazes de algum dia se debruçarem sobre uma pedra ou uma criança. O que vamos fazer a este país onde a nossa paixão não tem lugar. Pergunto-me quantas Saras existem no país mais triste? Pessoas ávidas de conhecimento, cheias de curiosidade e amor, capazes de tirar o dia de folga para saltitar por entre arbustos molhados para nos mostrar as casas redondas que desde pequena conhece e explora, que voluntariamente foi limpando amiúde para que as ervas não a encobrissem.... Quem não percebe que são estas as pessoas que deviam estar sentados nos cadeirões deste país... A deixar que a terra dos sonhos fosse conduzida pelo conhecimento, pelo amor, pelo esforço e pelo trabalho, pela persistência e pela tenacidade...? Sara, em nome do nosso país, peço-te desculpa, envergonhada, por ele não te ver, não te reconhecer, não te recolher, não te amar, não te aproveitar. E gostaria que nunca abandonasses essa paixão que te move pois tenho a certeza que a tua, a minha e a de todas as Saras deste país, um dia triunfarão. Emergirão como Valongo neste mar de mediocridade. E os fosseis sobre as quais se abaterão, esses não serão dignos de estudo.

Foi um enorme prazer conhecer-te!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Germinal


Na leitura de Germinal de Émile Zola há mil ideias que me ocorrem. Difícil é organizá-las num texto que faça justiça a esta obra que transcende o tempo em que foi criada. Foi criada nos alvores do capitalismo, filho primogénito do liberalismo que, por sua vez, constituiu um reação ao absolutismo que, por sua vez constituiu uma reação ao feudalismo. Assim se foi desenvolvendo a história nesta espiral de tese, antítese, síntese cujo processo Marx tão bem descreveu esperando, contudo, um fim da história com todos os seres humanos em igualdade. Não sabemos se Marx se enganou porque o fim da História não está à vista mas acredito que estamos num momento de antítese cuja esperada síntese não conseguimos vislumbrar.
Várias questões me perturbam com a leitura deste livro. Retrata a luta desumana de centenas ou milhares de mineiros que, no final do século XIX, algures em França, tentavam resistir às medidas que os administradores das companhias mineiras tentavam tomar para diminuir o prejuízo provocado por um momento de crise no sector. É uma lei do capitalismo: quando tudo corre bem os lucros revertem a favor dos investidores e os trabalhadores conquistam, a custo, parcos direitos, tirados a ferros, à custa de greves, atentados, mortes… Assim que os ventos mudam, os prejuízos são imputados aos trabalhadores e subtraídos diretamente aos seus salários e direitos anteriormente conquistados que passam, nestas alturas de crise, a designar-se “privilégios” ou “regalias”. Qualquer semelhança com os dias de hoje não é pura ficção!
No passado tal como hoje, os mineiros desconhecem quem são os donos das minas. É uma gente cujos rostos não conhecem, são os acionistas que vivem luxuosamente sobre os lucros das minas e que, em momentos de crise, não podem encomendar, tanto quanto antes, os últimos modelos de Paris para as suas filhas. Parecem desconhecer que a miséria e a fome dos mineiros está diretamente relacionada com o luxo em que vivem. Eles apenas investiram ou herdaram ações… Que mal pode haver nisso? E como são pessoas de religião e de fé incutem nos seus filhos os valores de caridade e de misericórdia, enternecendo-se com a sua capacidade de despender algum do seu tempo a ajudar os pobres. Qualquer semelhança com os dias de hoje não é pura ficção! Qual é o magnata que não se enternece a ajudar uns meninos africanos a ser vacinados, a contribuir para a luta contra a fome, a ajudar instituições de caridade?... Estão a tentar lavar-se dos seus pecados ou nem sequer percebem que há uma relação causa-efeito entre o dinheiro que lhes sobra e o dinheiro que falta aos esfomeados?
Este retrato pintado pelo Germinal é o retrato de um povo que, cem anos antes, tinha acabado com o absolutismo e rebentado com uma revolução que gritava “Liberdade, igualdade, fraternidade!” O fruto dessa revolução não foi a democracia foi o liberalismo: uma classe oriunda do povo ansiava, não por direitos iguais para todos, mas em privilégios iguais para si. E assim floresce uma nova burguesia, alicerçada sobre o valor do mérito. Contestava os direitos adquiridos à nascença e reclamava que fosse possível ascender pelo trabalho e pelo mérito. No fundo reclamava apenas meios diferentes para conseguir os mesmos fins: o estatuto da defunta nobreza, o domínio de uns homens pelos outros. Depressa cuspiram no prato onde comeram. Depressa se tornaram tão insensíveis como a Antonieta. Porque reclamam os mineiros?! Afinal a Companhia não lhes dá casa e carvão de graça, acaso não tinham direito a médico e pensão de invalidez? Se o dinheiro não lhes chegava certamente é porque o gastavam na tasca… Nunca lhes ocorre que, com apenas um pequeno sentido de justiça, uma pequena distribuição dos prejuízos diminuindo ao seu lucro, talvez até os mineiros já se contentassem…
Da mesma forma hoje o capitalismo trabalha no seu próprio suicídio, quando não quer ver que depende do consumo e do emprego para se alimentar… As injustiças são cada vez mais intoleráveis. Os direitos conquistados durante décadas são diariamente roubados. E sobre a miséria, deitam a culpa sobre as pessoas. Que querem elas? Não percebem que temos de pagar uma dívida que contraímos [sem atender às reais necessidades do país]? Que quisemos aproveitar os financiamentos para grandes obras públicas [a maioria das quais perfeitamente supérfluas, mal geridas, mal planeadas e nas quais também tínhamos de pagar uma percentagem do investimento e que é, essa sim, uma das razões do nosso endividamento]?
Quem os mandou viver acima das suas possibilidades senão o capitalismo que lhes enfiava cartas no correio e lhes enchia os telemóveis de mensagens aliciantes para se endividarem para comprarem a casa, o carro e a mobília, tudo de uma assentada? Tudo novo! Nada de restaurar, de conservar, de reabilitar? Nós queremos tudo novo!
Quem pensou que investir na educação, na prevenção, na saúde, no planeamento do território, na preservação das nossas pequenas indústrias, na reconversão da nossa agricultura de subsistência numa agricultura inteligente, biológica, de pequenas propriedades mas de qualidade, poderiam ser alternativas de desenvolvimento mais sustentáveis, à medida do nosso país, que agora caminhariam sozinhas em vez de estourarem como balões que sobem alto, mas num belo dia desatam a rebentar? Quem pensou? Houve quem pensasse mas não foram os senhores eleitos pelo nosso povo. O mesmo povo que irrompeu nas ruas na Revolução Francesa e no 25 de Abril. O mesmo povo, traído pelos seus governantes, traído por si mesmo. E depois de uns anos de avanço logo começamos às arrecuas com o poder político vendido ou capturado pelo poder económico e  financeiro. E agora todos juntos não passamos de pequenos atores de um teatro de fantoches. Nós e os políticos que elegemos. E o povo desconhece mais uma vez o rosto de quem move os fios. E quem move os fios desconhece, ignora, despreza as marionetas das quais, usa, abusa e descarta sempre que os entende como dejetos do sistema. Seres que não fazem falta no momento.
Mas é deste povo, maltratado, traído, descartado, digerido e cuspido pelas minas e pelo sistema capitalista que nasceu e há-de nascer sempre o Germinal da revolta. E a revolta é antes de tudo um processo íntimo, uma semente que se instala em cada indivíduo. E porque na verdade, quer acreditem ou não, os grandes senhores de cada tempo, todos os povos, homens e  mulheres, têm os mesmos direitos, são feitos da mesma massa, possuem forças e debilidades, sensibilidade, faculdades, inteligência, intuição, sentido de justiça e imaginação. E por isso todas as marionetas descartadas se podem levantar, sair do palco, subir nas costas do sistema e, um a um, cortar os fios e deixar abandonados os senhores que os desprezaram.
Neste momento da história tenho pouca fé na capacidade de organização em massa e na resistência heróica de um povo de mineiros capaz de passar dois meses sem comer para fazer greve. Das duas uma, ou precisamos de voltar e este grau de injustiça generalizado (e não de apenas  uma parte da população) para nos revoltarmos ou a revolta vai ser muda e individual. A revolta que pode minar por baixo os alicerces do capitalismo pode ser tão somente um virar de costas. Não temos dinheiro, não consumimos. Felizmente já não somos analfabetos e existe uma quantidade suficiente de desempregados letrados e informados para voltarem costas ao sistema, se organizarem em pequenos grupos de troca e inter-ajuda, criarem sistemas de produção alternativos. Sobre as trocas ainda não há impostos, nem ninguém pode taxar a inter-ajuda. Solidariedade e imaginação. Penso que este é o germinal da revolução que se está a apresentar paulatinamente no palco da História.

Não acreditam? Ninguém acreditava no final do livro que os mineiros venceriam por fim!

domingo, 25 de agosto de 2013

No Tempo em que o Mamadou Nasceu


"Quando o Mamadou nasceu não havia nada, nem plantas. Só animais. Existiam todos os animais da selva. Pessoas não havia. Estavam escondidas nas barrigas das mães. Todas umas dentro das outras.
Quando ele nasceu não havia borboletas, só borboletas de brincar...
(- Quem é que brincava com elas?)
- O Mamadou.
(- Quem é que fez essas borboletas?)
- Foi o pai natal que deu. Nós as duas montamos as borboletas...
(- Mas nós não existiamos...)
- Pois não. Foi dentro das barrigas das mães que nós montamos as borboletas.
(- E como é que as borboletas saiam das barrigas das mães?)
- Por aqui [umbigo]. E depois fizeram muito cocó.
(- Quem?)
- Ele. 
(- Ele quem?)
- Este filho.
(- Como é que ele se chama?)
- Mamadou! Não sabes?... Mamadou Mendes da Silva.
(- E depois o que é que aconteceu?)
- Mataram os lobos todos. À noite.
(- Quem é que os matou?)
- Os maus!
(- Porquê?)
- Porque sim. Tu sabes. Tu és avó, tu sabes.As pessoas estavam todas a dormir. Foram os maus, à noite. Foi horrível, até eu chorei!
(- Porquê?)
- Porque mataram os lobos. Nesse dia eu chorei. Sim, sim.
(- E depois o que aconteceu?)
- Nada. Acabou-se a história."

por Júlia Espiridião (4 anos)





terça-feira, 30 de julho de 2013

A maravilhosa idade dos porquês

- Mãe, quando o pai pôs a semente, tu disseste, como é que me desenhaste?
- Como é que quê , filha?
- Como é que me desenhaste?
(Silêncio da mãe: o que é que eu respondo?...)
- Não fui eu que te desenhei filha, foste tu que te desenhaste...
- Como?
- Tinhas um lápis e um espelho e começas-te a desenhar, os olhos, a boca, o nariz...
- E como é que eu tinha um lápis na barriga?
- Já levavas dentro da sementinha.
- Ah...

Na verdade segue na sequência da conversa de há uns dias:
À mesa...
(...)
- Tu nessa altura ainda não existias, filha.
- Ah?...
- Não existias...
- Ah?
- Não existias. Agora estás aqui. Eu faço assim e toco-te. Tu estás aqui. Na altura eu fazia assim (esbracejo) e não te conseguia tocar. Porque tu não existias... Não tinhas nascido...
- Ah?...
- Não tinhas nascido.
(Silêncio pensativo)
- Como uma flor?
- Exactamente! Como uma flor!
- Como?
- Foi uma semente que o pai tinha e pôs na mãe... A mãe fez de terra e a semente nasceu dentro da barriga da mãe. E tu começaste a crescer, a crescer...
- Ah...

sábado, 27 de julho de 2013

Elogio a Marco


Acabada de assistir a uma entrevista com Alice Vieira em que ela crítica as novas alterações assépticas aos livros de Enid Blyton - onde palavras como "tareia" ou "cerveja" são substituídas por outras políticamente correctas - decidi-me finalmente a escrever sobre o "Marco" que muitos de nós viram na infância.... 
A memória que guardava da minha infância é que passava na televisão, uma vez por semana, ao Domingo, se a memória não me engana e que sofri durante longos meses até sentir a felicidade de o ver encontrar a mãe. E lembrava-me que tinha ficado "viciada", que detestava quando não podia ver. 
Passados agora quase 40 anos tive oportunidade de o ver, de seguida, em 5 DVD´s. Primeira reacção: pasmo! O Marco bebe uma pinguita de vinho para brindar, o Marco trabalha às escondidas para ajudar a família, a mãe deixa-o para ir trabalhar para outro continente... A minha filha colada, episódio atrás de episódio, e eu cada vez mais colada também, tentando perceber o quanto o Marco pode  ter sido determinante na formação do meu carácter. Desde muito pequena andava sempre com a palavra "justiça" na boca... 
E apaixonei-me agora por esta história, ao ponto de parar uma tarde inteira para ver os últimos episódios com a minha filha, chorando baba e ranho com as injustiças que lhe faziam, com o racismo de que era alvo, com a emoção de perceber a generosidade de algumas pessoas que vai encontrando, com a emoção de ver este menino que, no meio de tantas desventuras, encontra sempre tempo e espaço para ajudar quem precise mais do que ele. Um menino que grita, que chora, que ri, que pula de contente, que cai de cansaço, que cai de desespero, que tem pesadelos, que é acolhido e amado por estranhos, que é defendido por desconhecidos no seu percurso. Que é maltratado e que é bem tratado pelas mais diversas pessoas, pobres ou ricas, com ou sem instrução. Porque no "Marco" não há tendências nem preconceitos sobre o sítio onde vive o bem e o mal. O mundo não é a preto e branco. É real. E a construção de juízos de valor fica  a cargo da criança que vê. Ela identifica-se de imediato com o personagem: é uma criança à procura da mãe e, portanto, não é difícil cada criança se sentir na sua pele. E tudo o que fazem ao Marco fazem-no um pouco à criança que o vê, seja o bem ou seja o mal. E os maus são tão reais como os mais reais que todos nós conhecemos: são pessoas que gostam de se rir à custa dos outros, que não se conseguem pôr no lugar dos outros, que são egoístas, que fazem generalizações xenófobas, que maltratam os animais, que não se empatizam com o outro. São os maus reais, não têm cornos, nem barbatanas como nos filmes inutilmente violentos. Mas existem, coisa que não acontece em belíssimos desenhos animados que existem hoje, mas onde tudo é meigo, fofo, correcto, multi-racial e ecológico. E eu pergunto-me: que instrumentos mentais damos às nossas crianças para avaliarem com autonomia o mundo e os outros se não lhes apresentarmos de forma emotiva os problemas que inevitavelmente vão ver ou sentir? Que mal faz chorar de dor e emoção? Queremos por acaso criar máquinas politicamente correctas mas sem capacidade de reagir quando se depararem com o mal: identificar, perceber, relativizar, rejeitar sem "demonizar"... Acreditem, dentro do que de melhor vi para crianças em DVD nos últimos tempos está a Ponyo (uma verdadeira obra de arte de homenagem à tolerância e ao amor) e o Marco, pela sua força de fazer sentir emoções e fazer crescer eticamente uma criança. Que mais hei-de dizer? Foi um enorme prazer rever esta história de um menino, filho de um médico que se endivida para criar uma clínica para tratar os pobres, numa altura em que não havia assistência social e que, quando está prestes a encontrar a mãe, dá o dinheiro que tinha para a viagem, para salvar de uma pneumonia uma menina, que por ser de um bairro pobre, não tem médico que lá queira ir... Sinto que, com todo este elogio não honro verdadeiramente esta obra prima de homenagem às emoções e à generosidade mas é o melhor que consigo dizer. Ofereçam aos vossos filhos e às crianças que conhecem. Com 4 anos já ficam "colados" mas se virem mais tarde melhor.

sexta-feira, 15 de março de 2013

A crise, os velhos, as crianças e revolução

Tenho dito muitas vezes que estamos na iminência de viver uma revolução. Dêmos uns passos atrás para nos observarmos de longe: falamos muitas vezes de revolução agrícola, de revolução industrial e também falamos da revolução francesa, americana, russa e da dos cravos. Há revoluções que partem de movimentos populares, outras partem do exército, outras entram em movimento pela força das circunstâncias, pelo contexto político, económico, social, cultural, técnico e científico. Só são efetivas e verdadeiras quando se alastram aos indivíduos. Quando eles aderem à mudança. Se a resistência estiver latente ou oprimida então chamamos-lhe antes ditadura.
A revolução que acredito podermos estar a viver é uma revolução como a revolução industrial, demográfica ou científica. Acontece por força das circunstâncias. O fim de um ciclo do sistema capitalista está a gerar profundas alterações em vários países do mundo. Na Europa ela sente-se agora nos países do sul. Mas crises semelhantes têm ocorrido em países da América latina. Portanto, não tenhamos ilusões. Este não é um problema português. É um fenómeno global. Criamos uma sociedade baseada no supremo valor da produtividade, lucro, investimento, especulação, consumo. Um animal que corre atrás do próprio rabo num círculo vicioso que agora se transformou em espiral.
Dêmos uns passos atrás para nos observarmos de longe. Será a nossa forma de viver a melhor? Consumimos e desperdiçamos à custa de quê e de quem? Somos felizes assim? Mal os nossos filhos nascem começamos logo a consumir: somos capazes de fazer horas extra para comprar o melhor dos enxovais, em vez de começarmos a abrandar e nos dedicarmos ao namoro da ideia de ter um filho. Parte do tempo que gastamos a trabalhar para comprar coisas para os nosso filhos devíamos gastá-lo a brincar e a passear com eles. Usufruir da felicidade que é ver uma criança a crescer, cada pequeno passo, cada palavra, cada pergunta, cada gesto novo... Esta deveria ser a nossa prioridade. Com os nosso velhos fazemos a mesma coisa. Colocamo-los num lar ou deixamo-los a viver sozinhos. Porquê? Não é culpa nossa. As horas de trabalho necessárias ao pagamento de uma prestação de uma casa e de um carro obrigam-nos a ficar reféns de um trabalho a tempo inteiro que não nos deixa tempo livre. Nas famílias, cada vez mais pequenas e isoladas, não sobra ninguém com mais tempo que possa assumir os cuidados das crianças e dos idosos.
Agora, recentemente, com o aumento do desemprego, temos ouvido notícias de que há pais a retirar as crianças dos infantários, que há filhos a voltar para casa dos pais, que há pais idosos a serem retirados dos lares para irem para casa dos filhos. Fala-se quase sempre disto como de algo negativo, como se os pais não dessem mais atenção aos filhos do que aquela que eles têm nos infantários, como se os filhos (e os netos!) não pudessem dar aos idosos uma felicidade muito maior do que estar num lar. Todo esta transformação é dolorosa porque é sempre dolorosa a adaptação. Mas não significará um progresso maior do que aquele a que revolução industrial obrigou quando empurrou para a cidade milhões de famílias isoladas do que lhes era familiar, desprotegidas, a trabalhar 14 horas e a viver em condições de absoluta falta de higiene?
Não é uma solução bem inteligente as pessoas juntarem-se mais e inter-ajudarem-se? Que preço estamos nós a pagar pela falsa abundância baseada não na nossa riqueza real mas no dinheiro emprestado a juros? Não valerá mais a pena viver com menos e viver perto de quem amamos?
Este é apenas um dos pequenos detalhes desta transformação que se está a operar, destas pequenas adaptações saem os sobreviventes, os que resistem, os que recriam. O tempo livre do desemprego pode dar-nos tempo para criar soluções e novas formas de estarmos na nossa vida. O estado deixou de nos proteger e perdeu a sua função. Quem reina agora é um monstro chamado anarco-liberalismo. Não foi eleito, impôs-nos paulatinamente uma ditadura. Como abatê-lo? Eu acredito que somos nós, os liliputianos, que vamos fazer a revolução necessária. Adaptando-nos e contornado as dificuldades, podemos cortar as pernas ao gigante que vive do consumo que inevitavelmente teremos que deixar de lhe dar. Cortar as pernas a esta gigante que nos condena a uma vida de trabalho sem amor, nem arte, nem pensamento para no fim nos dar uma mísera reforma com a qual passearemos em excursões tristes a recordar tudo o que não vivemos durante toda a nossa vida. Todas as adaptações no sentido da união, solidariedade, redução do consumo, criação de auto emprego, trabalho artesanal, práticas agrícolas, exploração turística e cultural estão ao alcance de todos. Porque, como diria a Nina Simone, temos as nossas mãos e estamos vivos... Isto está a acontecer por todo o lado! E isto faz parte da revolução! Não precisamos apenas de demitir o Miguel Relvas nem sequer apenas o governo. Precisamos de uma alteração profunda, de uma mudança de paradigma económico, social e político. Uma parte desta mudança está em marcha, é inevitável, é uma adaptação inevitável. Outra parte terá que partir de uma renovação política. Que o novo governo se concentre em assegurar o que é essencial para as pessoas: não é o regresso aos mercados, não é a bolsa de valores, não é dar emprego a qualquer custo construindo auto-estradas e escolas gigantescas para alimentar os lobies do betão... A política do PS baseou-se na solução adotada para superar a crise dos anos 30. mas nós agora estamos em 2013 e o fomento do emprego fazia mais falta na educação, na saúde, no requalificação urbana sustentável (sem atropelar o património como anda a ser feito no Porto, visite-se o inqualificavelmente horroroso largo no quarteirão das Cardosas).
Precisamos de renovar a classe política colocando à frente do país toda a gente que ficou para trás por ser demasiado honesta. Precisamos de uma política de esquerda. A maior revolução está na mentalidade, ser capaz de superar o medo da esquerda. A esquerda terá de se unir e o povo terá de ser capaz de votar nela. Duas coisas bem difícieis. E isto será apenas o início de uma mudança que devemos querer se quisermos definir como prioridade das nossas vidas menos “coisas” e uma vida melhor. Com aquilo que é essencial para uma vida melhor. Têm-me dito que sou lírica, que o ser humano não muda assim de repente de mentalidade, que as pessoas estão demasiado apaixonadas e viciadas no consumo! Pois eu digo que bastou um dia numa viagem de comboio para Auschwitz para milhares de seres humanos alterarem as suas prioridades. De repente pessoas como nós definiram como prioridade a necessidade mais básica do ser humano: sobreviver. Não me digam que a mentalidade e a prioridades não se redefinem quando vemos os nossos filhos a passar fome, não me digam que não muda nada quando vemos os nosso filhos emigrar, não me digam que não muda nada quando depois de uma vida de trabalho ficamos sem casa porque de repente ficamos no desemprego! É inevitável mudar. E só não mudam aqueles a quem ainda não aconteceu nada e que são incapazes de se solidarizar com os outros. Tenhamos consciência do momento histórico que vivemos! Entremos ativamente nesta revolução. Vamos para a rua mas vamos também começar a discutir alternativas para as nossas vidas e para a nossa sociedade.

http://www.youtube.com/watch?v=mZVQmJVXDkk

sábado, 2 de março de 2013

Que se lixe a troika! Portugal é um país rico!


Eu vou falar daqui. A partir da minha enorme ignorância do funcionamento do sistema económico e financeiro mundial. E vou partir daqui: como pode um país tão rico ter chegado a esta enorme pobreza? Refém de uma dívida que nunca poderá pagar? Cujos governantes anseiam o dia em que possam aceder a mais empréstimos a juros mais baixos. Para nos continuarmos a endividar apenas de forma mais barata. Mais barata que a ajuda externa que temos tido. “Ajuda externa” que é o que se tem chamado a um empréstimos a juros tão elevados que têm rendido muito dinheiro a quem já tem muito dinheiro. E eu pergunto, aqui de baixo da minha ignorância: ajudo alguém que não tem dinheiro quando lhe empresto agora 50 € quando mais adiante ele me vai devolver 75 e sabendo de antemão que ele não o poderá pagar? Como pode esta absurda falta de lógica ter-se instalado no discurso de gente tão bem parecida? E eu pergunto: para que precisa um país como o nosso de ser roubado? Para que precisa um país como o nosso que lhe emprestem dinheiro? Aqui está sempre a nevar? Há tufões dia sim, dia não? É isto, por acaso, um deserto? Já não resta nenhum peixe nos mares? E o sol, que foi feito dele? Como pode este “jardim à beira-mar plantado” ter chegado ao ponto de precisar de dinheiro emprestado pago com um sofrimento tão brutal? Dinheiro emprestado que não é sequer para alimentar quem tem fome, que não é para pagar a saúde, que não é para educação, que não é para financiar a indústria, nem a pesca, nem a gricultura? Dinehiro emprestado que é para pagar dinheiro emprestado?! Serei completamente estúpida? Estarei a fazer uma grande confusão? Não temos nós tudo o que um povo precisa para viver com o necessário? Será preciso viver longe de quem se ama para sobreviver? Que espécie de catástrofe se abateu sobre nós? O que aconteceu para chegarmos até aqui? Sem agricultura, sem indústria e sem pesca? E porque motivo permitimos que nos fizessem isso? Acenaram-se com as casas novas penduradas no céu que não valiam metade do preço que se pagou... Acenaram-nos com a ideia de que éramos o que tínhamos, que éramos os nossos carros, as nossas roupas, os nosso objetos de nova tecnologia, sempre hoje comprados por um décimo do que amanhã custavam... Acenaram-nos com a ideia de que o que parecemos ser é aquilo que somos. E isso não é verdade. O que somos é apenas o que somos: o que pensamos, o que somos capazes de criar, o que somos capazes de transformar, a nossa capacidade de adaptação, aquilo que inventamos, o que temos de inesperado.
O que pensávamos nós? Que mudar de carro de 3 em 3 anos era um objetivo justo e legítimo de quem trabalha? Que comer o triplo do que devemos é compatível com uma distribuição racional dos recursos do planeta? Que ganhar dinheiro por ter golpe de vista e sem trabalho é legítimo quando outros para ganhar um milésimo têm de transpirar 40 horas por semana?
Comparamo-nos com o resto da Europa... E eu pergunto-me: o planeta chega para vivermos todos com o nível de vida dos alemães e dos suecos? Ou a palavra injustiça só tem significado quando a injustiça é sobre nós? E os povos africanos que até hoje pagam a dívida da nossa exploração?
Temos de parar e temos de questionar tudo. Temos de parar e definir o que é essencial: pão na mesa, tempo livre para nós, para os amigos, para a arte e para a beleza. Porque motivo a mecanização e o o consequente aumento de produção nunca reverteu a favor da humanidade? Porque criamos um sistema em que o aumento de produção enriquece os ricos e cria uma classe média, em que o poder político está subjugado ao poder económico, e que ciclicamente sofre crises porque é insustentável. E é insustentável porque quando tudo corre mal os malefícios não são imputados aos que antes beneficiaram mas sim àqueles que sempre ficaram na mesma para no fim ficarem pior.
Em suma. Temos sol, temos praia, temos terras férteis, uma extensa costa, conhecimento técnico e científico, saber fazer artesanal e industrial. Somos um povo honesto demasiado tolerante à corrupção. Porque somos uma gente de ética flácida. Que com tanto mar aprendeu a deixar-se levar pelas marés.
Está na hora de nos firmarmos. “Está na hora de o governo se ir embora”, “que se lixe a troika”. Sugiro que não paguemos. Comecemos do zero. Agarremos as nossas terras, recuperemos os conhecimentos, saibamos viver com menos, saibamos usar o nosso poder criativo, a nossa força e a nossa capacidade de trabalho. Aprendamos com o norte da Europa um pouco mais de organização. Criemos um país nosso, feito à nossa medida e daquilo que é importante. Saibamos ser e não parecer.
Que se crie um governo de esquerda, um socialismo tolerante a um liberalismo moderado. Com lugar para o mérito e para o direito à diferença. Com direito à preguiça e com direito ao trabalho. Um Portugal justo e solidário. Um governo de esquerda de AQUI E AGORA. Esqueça-se o Marx, o Trotsky, e o Mao Tsé Tung. Aqui e agora. Uma nova ideologia num novo tempo. Com uma única base: Liberdade, igualdade de oportunidades, fraternidade. Tudo o resto são ismos tristes da história, são interpretações demasiado humanas de grandes pensadores que, sem quererem, criaram verdadeiros monstros. Esqueçam as quezílias antigas. Que todos os homens de boa vontade se juntem num objetivo comum: a felicidade do povo português. Esquerda de Portugal, deixem-se de merdas, unam-se para o que é essencial. Povo português, deixem-se de merdas e desistam da alternância PS/PSD. O que temos a perder? O que nos pode meter mais medo do que separarem-nos dos nossos filhos, abandonarem-nos e expulsarem-nos do nosso país? o que nos pode meter mais medo do que saber que pessoas que trabalharam 40 anos têm reformas de 200 e porque o seu trabalho foi ilegal e no fim só tiveram direito ao desemprego?


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Fábrica de Cerâmica do Senhor do Além e o seu enorme potencial como equipament​o cultural e de apoio aos parques naturais

Acabei de enviar este mail aos (e já havia enviado um semelhante ao Sr Mário Dorminsky). Será que vou ter direito a dois minutos de atenção?

Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Gaia


Exmo. Sr Director do Parque Biológico de Gaia

Exmo. Sr. Director do Solar dos Condes de Resende

Chamo-me Teresa Silva e sou arqueóloga. Escrevi recentemente um artigo sobre a antiga Fábrica de Cerâmica do Senhor d'Além situada junto ao rio, na escarpa da Serra do Pilar. Gostaria de vos enviar e de vos alertar que esta antiga fábrica possui um enorme potencial para se criar um equipamento cultural e de apoio ao parque natural da ponte D. Luís e D. Maria Pia. Se lerem o artigo penso que facilmente perceberão (O Dr. Gonçalves Guimarães naturalmente já conhece esta fábrica e o seu potencial...) que se trata de um caso singular. Num momento em que cada vez mais os equipamentos culturais têm de ser versáteis e oferecer (tal como faz a Fundação de Serralves) um espaço multi-funcional onde se possa passar um dia, acredito que este seria um espaço único em Gaia para esse efeito. Inserido numa paisagem única, com uma área enorme, com umas vistas fantásticas, preservando estruturas fabris que são provavelmente casos únicos ou muito raros no país e na Europa, poderia transformar-se num espaço de paragem (para quem passeia a pé ou de bicicleta) para fazer uma refeição, descansar, ver uma exposição, conhecer as antigas estruturas de uma fábrica de cerâmica (atividade outrora com um papel tão importante para a cidade...). Para além disso trata-se de um edifício cuja história remonta, pelo menos, ao século XVI!


Sei que os tempos são difíceis para investimentos e que o vosso tempo escassea, mas peço-vos apenas dez minutos de atenção para uma rápida leitura.


Com os melhores cumprimentos.

--

Teresa Silva

Arqueóloga

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Bom Povo Português estará na hora de fazer outra revolução?

Divulgo esta mensagem cujo autor desconheço e cuja veracidade de todas as informações não tenho tempo de confirmar. Mas penso que quando fizemos o 25 de Abril e escrevemos uma bela Constituição julgamos ter seguro o cumprimento dos princípios de um sistema democrático. Na verdade, o atual sistema político foi-se subjugando ao poder económico (começa com o facto de serem eles a financiarem as campanhas dos grandes partidos) e neste momento este é um país que promove a escalada política de gente desonesta. Não gosto generalizações como "são todos uns corruptos" nem tenho nada contra a existência de partidos, pelo contrário. Mas tenho a firme convicção de que o "bom povo português" vai ter de voltar a fazer uma revolução. Como? Não sei. Acredito nos indivíduos e acredito na união, acredito na imaginação e na criatividade, acredito no ser humano e acredito na justiça  (não nesta, claro mas em alguma que há-de vir). Creio que deveriam ser instaurados processos judiciaisa estes senhores pelo uso ilícito de um cargo político para benefício pessoal. Creio o país deverá ser governado por cidadão de esquerda com provas dadas de honestidade, apartidários ou de partidos... Como selecioná-los. Como reunir a gente honesta? (Eu pessoalmente nunca conheci ninguém que confessasse ser desonesto...)
Para além da união existe, para mim, algo que só depende de cada um de nós. A refelexão crítica e a revisão prática de todos os nossos pequenos gestos diários: O que comemos? O que vestimos? O que fazemos perante uma injustiça? Que prioridades definimos para nos enervarmos (por favor deixemos de as canalizar para o trânsito!)? O que fazemos quando não concordamos? Como promovemos a paz e a discussão em busca de soluções melhores para um fim  melhor e não um interesse próprio? Que fizemos nós hoje para tornar o mundo melhor?

Vale a pena ver a reportagem que passou ontem na Câmara Clara dedicada a Utopia (a palavra que mais amo)

Quem não viu creio que poderá ver em breve aqui: http://www.rtp.pt/programa/episodios/tv/p28553/1


"Um dos Motivos porque o Governo se tornou fiador de 20 mil milhões de euros de transacções intra bancárias......???

Os de hoje, vão estar como gestores de Banca amanhã, pois os de ontem, já estão por lá hoje.

Correcto???? Se pensas que não, vejamos:
EIS A LISTA :

Fernando Nogueira:
Antes -Ministro da Presidência, Justiça e Defesa

Agora - Presidente do BCP Angola

Rui Machete: (AGORA NINGUÉM O OUVE)

Antes - Ministro dos Assuntos Sociais

Agora - Presidente do Conselho Superior do BPN; (o banco falido, é só gamanço) e Presidente do Conselho Executivo da FLAD

Paulo Teixeira Pinto: (o tal que antes de trabalhar já estava reformado)

Antes - Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, depois Presidente do BCP (Ex. - Depois de 3 anos de 'trabalho', Saiu com 10 milhões de indemnização !!! e mais 35.000,00 € x 15 meses por ano até morrer...)

Agora ? Novo administrador da Comissão Executiva da EDP

Celeste Cardona: (a tal que só aceitava o lugar na Biblioteca do Porto se tivesse carro e motorista às ordens - mas o vencimento era muito curto)
Antes - Ministra da Justiça, depois vogal do CA da CGD

Agora - Nova administradora da Comissão Executiva da EDP

José Silveira Godinho:
Antes - Secretário de Estado das Finanças

Agora - Administrador do BES


João de Deus Pinheiro: (aquele que agora nem se vê)
Antes - Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros

Agora - Vogal do CA do Banco Privado Português (O TAL QUE DEU O BERRO).

Elias da Costa:
Antes - Secretário de Estado da Construção e Habitação -

Agora - Vogal do CA do BES

Ferreira do Amaral:

(O ESPERTALHÃO, QUE PREPAROU O TERRENO)

Antes - Ministro das Obras Públicas (que entregou todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira à Lusoponte)

Agora - Presidente da Lusoponte, com quem se tem de renegociar o contrato (POIS CLARO, À TRIPA FORRA).

Eduardo Catroga:
Antes ? Foi Vice Presidente da Quimigal, Presidente do CA da SAPEC e Ministro das Finanças do 12º Governo de Cavaco Silva.
Agora ? Novo Chairman da EDP, que acumula com Administrador não Executivo da NUTRINVESTE e do BANCO FINANTIA (não prescinde de receber todas as reformas e pensões a que tem direito, pudera também eu!!!!!!)

etc etc etc...
O que é isto ? Cunha ? Gamanço ?
É Portugal no seu esplendor.
...e depois até querem que se declarem as prendas de casamento, bem como o seu valor. Já é tempo de parar esta canalha nojenta ! Não te cales, DENUNCIA! Passa este e-mail, fá-lo circular por Portugal. (Eu faço a minha parte. Por mim a estes sangue-sugas já os tinha posto a trabalhar na estiva...) . Sabes quem é que tem a culpa desta roubalheira? És tu, sou eu, somos todos nós, que permitimos todas estas situações. Como é que estes gatunos ainda nos pedem sacrifícios?Será que continuamos a ser, como dizia um monarca português, um País de bananas governados por sacanas.
Exigimos:

Reduzir os salários de TODOS os cargos políticos em 50%. (Cinquenta por cento)

Retirar TODOS os subsídios, abonos ou subvenções. Apenas poderão auferir o salário.

Limitar o salário dos cargos políticos, ao valor de 5 salários mínimos (+/- 2.500,00 € ?)
Apenas poderão auferir UM salário.

Reforma para os políticos aos 65 anos de idade, como todos os outros portugueses

ESTÁ CIRCULANDO EM TODA A ESPANHA!Vamos fazê-la circular em PORTUGAL....MUITAS VEZES, tantas quantas as necessárias...


"Em nome dos cortes salariais e do roubo, do subsídio de férias e Natal, vamos circular este apelo que ESTÁ CIRCULANDO EM TODA A ESPANHA!

E PORQUE NÃO, EM PORTUGAL?

Se Concordas passa aos teus amigos é uma forma de participares, de transmitires a tua revolta com a situação actual.  Não fiquem parados, façam alguma coisa ...
Se assim não for, teremos de concluir que concordas com a actual politica e estás feliz com os teus governantes!"

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Águas e Parque Biológico de Gaia - Política ambiental hipócrita!

Esta reclamação acabou de ser por mim enviada ao
Exmo. Sr. Presidente de Águas e Saneamento de Gaia
Dr. José Miranda de Sousa Maciel


Por favor, divulguem, estas situações têm de ser denunciadas!

Venho por este meio chamar a atenção para um aspeto que considero eticamente inadmissível no que diz respeito aos tarifários praticados pelas ÁGUAS e PARQUE BIÓLÓGICO DE GAIA, E.E.M. E, acima de tudo, contraditório com a política ambiental que a instituição propaganda promover.
Tendo em conta a atual situação financeira do país, o recurso a pequenas hortas para consumo doméstico é por vezes um completo fundamental para a sobrevivência das famílias. Ora tendo-me informado nos vossos serviços que o consumo de água para rega, através da  instalação de um contador próprio (apesar de mais caro, de 2,00€ a 2,50€ o m3), não estava sujeito a pagamento de taxas saneamento e de resíduos sólidos, resolvemos optar por esta solução. Acontece que, feito o contrato (Em nome de Pedro Elói Chagas Espirifião de Sousa) -  e só neste momento - nos forneceram a informação completa publicada em Diário da Republica. Analisando o contrato e o respetivo documento publicado em diário da república percebemos, então, que afinal pagamos taxas de resíduos sólidos, ainda por cima mais elevadas (2,30€ quando no consumo doméstico não excede os 0,80€). Isto porque um contador para a rega de um quintal (não estamos a falar de uma piscina!) está sujeito às mesmas taxas que o comércio e a industria. Devo dizer-vos que para uma instituição que promove tanto a educação ambiental, penalizar desta forma a produção de alimentos a nível familiar é verdadeiramente  espantoso, contraditório, inadmissível e injusto. É que para além da água ser muito mais cara taxam-se os resíduos sólidos, coisa absolutamente despropositada já que nós, não só fazemos menos lixo ao cultivar uma horta, (menos compras menos plásticos, menos embalagens...) como fazemos compostagem caseira que reduz em mais de metade o lixo que produzimos e que já pagamos, na íntegra, na outra fatura do contador normal.
Meus senhores educação ambiental a fazer fantoches com as criança a reutilizar pacotes de iogurte e, simultaneamente, taxar a água de rega de uma horta a este preço é promover uma política falsa, hipócrita  e apenas de fachada. Por favor sejam coerentes.
Por isso solicito que sejam revistos os tarifários diferenciado a agricultura doméstica do comércio e da indústria. E, já agora, uma chamada de atenção, a água para consumo doméstico, para BEBER, é um bem essencial. E no nosso concelho os preços praticados são inadmissíveis.
Avintes, 11 de Outubro de 2012
Agradeço a atenção dispensada
Maria Teresa Mendes da Silva

P.S Este e:mail será divulgado por todos os meios que eu tiver ao meu dispor. Estou absolutamente indignada. Fui enganada pelos vossos serviços e sinto-me revoltada, por andar a cavar uma horta, a apanhar ervas daninhas, a trabalhar quase diariamente para depois chegar à conclusão que mais vale ir comprar os produtos cheios de químicos que vêm de França!...  Porque com um contador normal  já recebi contas de 130 € de água e agora ainda vai ser pior! Não há um dia em que os cidadãos portugueses não levem uma bofetada! É a TSU, depois o IRS, o IMI, as taxas moderadores na saúde,as propinas da educação! Se não pagamos impostos para os bens essenciais afinal para que pagamos impostos?!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Reportagem sobre o Bairro dos Índios da Meia Praia e a sua destruição (prevista)

"Informo que a reportagem da SIC sobre os indios da meia praia, 25 minutos, é transmitida no próximo sábado cerca das 21,00, (a seguir ao telejornal)" (informação do Arqº José Veloso)

POR FAVOR DIVULGUEM! É A GRANDE OPORTUNIDADE DE CHEGARMOS A UM NÚMERO RAZOÁVEL DE ASSINATURAS!

http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=indiosMP

terça-feira, 29 de maio de 2012

Petição pela Preservação e Requalificação do Bairro dos Índios da Meia Praia em Lagos

http://www.peticaopublica.com/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=indiosMP

domingo, 30 de outubro de 2011

Uma pedrinha na engrenagem

Fui conhecer hoje o “Espaço Musas”, pouco cheguei a conhecer pois o chichi de uma criança de dois anos e meio interrompeu-nos a visita. Numa falta de logística imperdoável numa mãe, a roupa sobresselente ficou em casa esquecida. Talvez esteja a pagar por sempre ter torcido a sobrancelha ao ver as mega mochilas das mães de hoje. Não exageremos, quando uma criança anda a aprender a pedir para fazer chichi convém mesmo sair com uma roupa a mais!

Quando se questiona podemos ter um preço a pagar. Outras vezes temos muito a ganhar. Será mesmo preciso uma mala de 10 Kg para sair com uma criança à rua? Será mesmo preciso comprar um carro novo de 3 em 3 anos porque ele desvaloriza? Serão mesmo úteis os estores automáticos? Será que numa casa velha o melhor é nem mexer? Será que para começar um pequeno negócio tenho de pedir um empréstimo ao banco? Será que eu não poderia realizar o meu velho sonho de morar numa casa com quintal porque as casa velhas é melhor nem lhes mexer e as novas têm preços intangíveis? Será que me tenho de resignar a viver para sempre num apartamento com vizinhos em cima, debaixo, de todos os lados, a ensurdecer de nervos por não acreditar que é possível fazer alguma coisa com as minhas próprias mãos, que não é possível que haja solidariedade e por isso não podemos criar projectos colectivos mas podemos viver colectivamente com gente anónima e à qual não nos ligamos?

E agora a crise. Esta crise na qual o meu único sentimento é uma enorme sensação de ignorância, de que não percebo absolutamente nada desta máquina, destas enormes rodas dentadas que observo do chão e sobre as quais ouço tanta gente falar. Espreito às vezes para dentro dela e ouço falar de peças que ela tem, cujo nomes são enigmáticos e cujo funcionamento me parece incompreensível: o PSI 21 baixa, baixa e isso parece vir a ligar-se ao nosso subsídio de natal, os bancos são os únicos que dão lucro nesta miséria toda mas precisam agora de uma injecção de capital... alegadamente retiram-nos o nosso subsídio de natal para que mais tarde não seja necessário retirar-nos o subsídio de natal. Espreito o mecanismo onde aperto porcas, espreito o mecanismo com a minha garrafinha de óleo na mão. Às vezes digo disparates, pergunto “Onde é preciso pôr o óleo? Onde é preciso pôr o óleo?”. Às vezes lembro-me de querer ajudar. E alguém me pergunta: “Tás doida, não vens que esta máquina funciona mal?Aqui e ali e ali...” Espreito e não vejo nada. Espreito e somo as minhas observações de ignorância. Não leio jornais e os telejornais papagueiam discursos de frases soltas, repetidas, informações sobre peças para quem não percebe nada de mecânica. Eu não leio jornais e aliás não leio nada sobre política desde que ali “A Conquista do Pão” ou estudei o funcionamento dos sistema democrático ateniense há uns anos para um exame, coisas que para o caso não parecem contribuir nada. Eu não leio nada, eu não percebo nada de nada. Pois não percebo porque razão um pais precisa de se financiar para crescer e ao mesmo tempo se diz que foram os empréstimos que o arruinaram. Também não percebo porque é que um país tem de crescer. E questiono se vale a pena tentar perceber, questiono se vale a pena ler jornais para repetir frases mastigadas por outros, enquanto se bebem finos numa mesa de café a entrar pela noite dentro. Questiono e sempre questionei a informação estéril. A informação não serve de nada se não desencadeia uma acção. Se é para isso deixem-me ficar na ignorância que sou mais feliz. Viro as costas a isto e não quero saber se a ração que o meu cão come é responsável pela fome num qualquer país africano, se o chocolate que saboreio custa o mesmo que um ordenado a quem o produz, se o tabaco com o qual eu acompanho a discussão político-filosófica da mesa de café é produzido em monocultura provocando a desertificação num país onde a terra não produz nada para quem lá vive comer. Sem querer saber se a justiça de eu ter uma casa para viver e uma carro para me transportar para o meu trabalho se constrói sobre a injustiça criada pela abundância de um continente que vive às custas de uma neo-colonização mundial.

E é por isso que quero acreditar em espaços como o espaço Musas. Penso que em toda a minha ignorância tenho uma pequena certeza. E se em vez de piscarmos os olhos perante o PSI 21 fossemos plantar batatas? Produzo alguma coisa para eu comer. Crio. Transformo. Substituo a impotência de ficar parada com uma garrafinha de óleo na mão pelo gesto de atirar uma pedrinha para a engrenagem. Viro costas e com as minhas mãos transformo a realidade aos meus pés. Coloco uma semente na terra, rego e vejo uma planta nascer. Colho um fruto cuja história conheço. Sei que é tão ingénuo como parece. Um fruto que não contribuiu para o problema palestiniano, nem para a destruição do Amazonas, nem para a desertificação do continente africano. Um fruto adubado com os resíduos criados por outros frutos primos deste. Um fruto cujo adubo que o fez crescer não é responsável pela contaminação das águas que vieram a matar dois bebés no Paquistão. Um fruto que eu olho e finalmente entendo e posso dizer “ É meu! Fui eu que o criei e não roubei nada a ninguém!”

Perante a imensidão da globalização e o sentimento de pequenez que olhá-la nos provoca, nasce um novo sentimento de que a transformação se fará pelas nossas micro-acções. E parece incrível que o macro se possa vencer pelo micro mas só não acredita nisso quem nunca padeceu bem com uma gripe. Ou já alguém olhou um vírus olhos nos olhos?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

domingo, 7 de setembro de 2008

Prenda de anos!

De que maneira melhor posso agradecer a vossa mais que simpática prenda do que fotografando? Aqui vai uma das primeiras.


Um abraço para a Anabela, a Ângela (estava a roer-se mas não se descoseu), a Berta, a Bruna, o César (comissão organizadora, fajardo, e eu que não desconfiei de nada!), o Elói (a dormir comigo e não se descoseu...), o Gabriel, a Joana, o João, a Marta (minha querida enfermeira… estive com ela e não suspeitei…) o Nuno, o Óskar (tão longe e por dentro de tudo…), o Rafael e o Telmo. Obrigada a todos, adorei!
Estou um pouco preocupada por poderem ter gasto muito dinheiro… Deu muito a cada um?... Coitadinhos…
Já vou ter máquina para fotografar a pulginha quando nascer!