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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Hoje na aula de yoga o professor disse: Nesta posição o corpo tende a tremer, mas não liguem, é só o vosso corpo não são vocês. Tarde de mais porque eu já tinha cedido e baixado pensando que eu e ele éramos um só.
Mas eu sempre soube que não. Que aquele joelho que esfolei na viela a vir da escola não era meu. Que o meu corpo é um pacote dentro do qual me encontro presa. Fui crescendo assim, com o meu corpo a fugir de mim, comigo a fugir do meu corpo. E sempre a pensar “Porque é que eu sou eu e não tu?” Porque é que eu nasci aqui e não ali? Porque é que eu sou a Teresa e não a Xanda, a Tété, o Pieta, o Piriquito, a Guidinha das Malhas, a Rojona, o Zé Maluco, a Ana Maria, A Bela, o Paulinho, a Agostinha, o meu irmão Miguel, o meu irmão João, a minha prima Zeza ou outro qualquer dessas dezenas de primos?
O meu corpo ginga e eu ando lá dentro aos trambolhões. O meu corpo olha para mim e acha-me estranha. Sempre culpada e comprometida com qualquer coisa que ele fez. Um corpo estranho dentro de mim, uma estranha dentro do meu corpo.
Ultimamente comecei a maltratá-lo. Dou-lhe tabaco, mando-o pegar numa trincha e pintar uma casa inteira, obrigo-o a trabalhar dez horas num dia. Não lhe dou roupa nova.
E ele que só queria prazer… E eu que só queria esquecer-me dele para sempre.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Matemática

Aos 17 anos namorei com um rapaz de 34. Pensava com ele perder para sempre 17 anos de vida. E acho que envelheci aos 17 anos mais 17 anos. E perdi 17 anos. Morri e voltei a nascer. Nestes 17 anos que passaram, recuperei 17 anos da minha vida. Aos 34 anos namorava com um rapaz de 34 anos.

34-17=17+17=34-17=17+17=34-34=0

Dizem que o cosmos está organizado de acordo com leis matemáticas ou que a organização dos cosmos é traduzível para linguagem matemática... Eu sempre tive 1 a matemática. Alguém me sabe dizer se as minhas contas estão certas?
E, já agora, que significa esse zero?

domingo, 16 de março de 2008

Morada Aberta

Eu também já fui essa menina pela mão da sua mãe a ir à bruxa. Entrando num lugar desconhecido, tendo medo até de subir umas escadas como se, de repente, elas pudessem conduzir ao céu ou ao inferno, ali, na Praça da Batalha.