Hi! Hi! Hi! Hi! Hi!
Não se deve desejar mal aos outros mas quando se vê um polícia de segurança pública sem barriga, sem bigode, sem perdigotos e sem arbitrariedades, fazer justiça...
Está um chico esperto, típico português com uma mão na buzina e outra nos tomates, na rua do Almada a insultar um velhinho que parou o carro para fazer uma carga numa rua com um sinal que informa “cargas e descargas até às onze horas”. Apesar de informado sobre a dita placa, continuava a fazer justiça pelas suas palavras sábias gritando “Eu é que sou o turista! É o país que temos! Ó não sei quantos” e outras coisas cujo sentido filosófico e dimensão poética se tornava difícil de alcançar. Braços musculados esticados no volante e mulher envergonhada ao lado...
E eis que chega o nosso herói... O balão rapidamente perde ar, murcha, tira os óculos de sol e com um olhar quase felino diz: “sabe o que é senhor agente...” mas não há hipótese: “Encoste ali à frente que vai ser autuado” “Está bem senhor agente...”
Eu cá defendo um polícia de segurança pública para cada português!
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quinta-feira, 8 de maio de 2008
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Algum dia há-de ser dia!
Hoje de manhã caminhava pela rua pensando em coisas que ando a remoer há uns anos. Naquele tipo de coisas que nos consomem, que nos moem, naqueles sapitos entalados na garganta que não conseguimos engolir nem regurgitar porque é preciso pôr o pãozito na mesa... É então que uma senhora apoiada numa muleta, que caminhava sozinha, deixa fugir um desabafo de pensamento que a voz soltou: "Algum dia há-de ser dia!" Se fosse um filme musical eu repetia as palavras dela e correriamos pela rua cantando esse refrão e rodando os guarda-chuvas. Mas não é. E eu ouvi e prossegui empurrando mais um pouquito o meu sapinho.
domingo, 23 de março de 2008
Há de tudo em todo o lado
Que melhor expressão que esta para exprimir que independentemente:
da classe social
do país
da religião
da cultura
do sexo
do partido
da cor da pele
da orientação sexual
da profissão
do bairro
(complete a lista, por favor)
se encontrarem pessoas
grandes
belas
inteligentes
honestas
rigorosas
imparciais
solidárias
(complete a lista, por favor)
Ou
trafulhas
arrogantes
mesquinhas
desonestas
egoístas
pequenas...
E a prova disto é frase tão inteligente andar na boca de tanta gente, independentemente
da classe social
cultura
escolaridade
sexo
orientação sexual...
da classe social
do país
da religião
da cultura
do sexo
do partido
da cor da pele
da orientação sexual
da profissão
do bairro
(complete a lista, por favor)
se encontrarem pessoas
grandes
belas
inteligentes
honestas
rigorosas
imparciais
solidárias
(complete a lista, por favor)
Ou
trafulhas
arrogantes
mesquinhas
desonestas
egoístas
pequenas...
E a prova disto é frase tão inteligente andar na boca de tanta gente, independentemente
da classe social
cultura
escolaridade
sexo
orientação sexual...
segunda-feira, 17 de março de 2008
Elliot Erwitt
domingo, 16 de março de 2008
Vem-me buscar
Há uma categoria de seres humanos na qual eu não me incluo. Uma espécie de homens-mulheres-anjos. Não são os seres bondosos clássicos empoeirados de musica celestial que apenas dizem palavras meigas. São seres capazes de adoptar seres em sofrimento, que se aproximam deles no momento em que os outros se afastam.
Fazem-lhes mimos, levantam-nos do chão e levam-os às cavalitas para onde quer que eles queiram ir ou, se eles não quiserem ir para lado nenhum, para qualquer lado. São este seres que nos dizem nas horas de maior tristeza: "Telefona-me a qualquer hora que eu vou-te buscar". E isto é um espinho bom que nos fica cravado na alma para sempre.
Para o Óscar e para o Mário
Fazem-lhes mimos, levantam-nos do chão e levam-os às cavalitas para onde quer que eles queiram ir ou, se eles não quiserem ir para lado nenhum, para qualquer lado. São este seres que nos dizem nas horas de maior tristeza: "Telefona-me a qualquer hora que eu vou-te buscar". E isto é um espinho bom que nos fica cravado na alma para sempre.
Para o Óscar e para o Mário
Os ingelêses e os TLP no 207
"800 trabalhadores que a PT vais despedir! Oitocentos! Antes chamava-se TLP. Quarenta anos que eu trabalhei lá. Quarenta anos! Eram ingelêses. Uma maneira de falar delicada, uma educação. O falar, o trabalhar, o estar... Era muito grande a TLP. Muito grande que era a TLP.
A gente tem de saber estar atrás de um telefone a atender as pessoas. Eles ligavam e diziam - assim baixinho como eu estou a falar com a menina - "Bom dia, menina". Nunca mais me esquece da gargalhada de um ingelês quando eu disse "menino". "Ai quem me dera conhecer a menina que aí está do outro lado!". Que educação, que delicadeza, os ingelêses. Depois vieram os da PT com os telefones digitais... E eu, para mim, era matar-me. Gostava muito dos telefones manuais. Bonitos... A gente mexia-se com aqueles telefones... Pagavam-nos já na altura o 13º mês, não era assim que lhe chamavam, era o treze mês. Chegava à Páscoa pagavam o quatorze mês. E depois dividiam os lucros pelos funcionários! E a menina pensa que eles não tinham lucro mesmo assim? Dava ou não dava gosto trabalhar? E a gente trabalhava tanto...
Gosto em conhecê-la menina. De vez em quando é preciso recordar os tempos antigos"
A gente tem de saber estar atrás de um telefone a atender as pessoas. Eles ligavam e diziam - assim baixinho como eu estou a falar com a menina - "Bom dia, menina". Nunca mais me esquece da gargalhada de um ingelês quando eu disse "menino". "Ai quem me dera conhecer a menina que aí está do outro lado!". Que educação, que delicadeza, os ingelêses. Depois vieram os da PT com os telefones digitais... E eu, para mim, era matar-me. Gostava muito dos telefones manuais. Bonitos... A gente mexia-se com aqueles telefones... Pagavam-nos já na altura o 13º mês, não era assim que lhe chamavam, era o treze mês. Chegava à Páscoa pagavam o quatorze mês. E depois dividiam os lucros pelos funcionários! E a menina pensa que eles não tinham lucro mesmo assim? Dava ou não dava gosto trabalhar? E a gente trabalhava tanto...
Gosto em conhecê-la menina. De vez em quando é preciso recordar os tempos antigos"
segunda-feira, 3 de março de 2008
Discussão conjugal
Dois corpos suspensos na Praça da Galiza. Olhos nos olhos. Olhos no infinito. Sussurros, palavras definitivas. Ombros imóveis. Adeus para sempre. Adeus até à próxima discussão.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Sou assim
Sou assim. O meu corpo é uma régua que regista os valores máximos de acidez e alcalinidade. Adoro e detesto coisas. Adoro e detesto pessoas.
Detesto ver pessoas que se superiorizam às outras por terem mais escola, dinheiro, coisas, amigos ou seja lá o que for;
Adoro quando as pessoas omitem ou não exibem estas “superioridades” e ouvem, falam, olham de igual forma para todos os seres humanos.
Detesto quando as pessoas agem como se fossem o centro do mundo, não tentando ver pelo olhar do outro, pôr-se no lugar do outro;
Adoro ver seres humanos que conseguem distanciar-se de si próprios, da sua visão, do seu lugar e colocar-se do outro lado, do outro, do estranho, do vizinho, do outro clube, do outro lado da fronteira, do outro lado do ser, do outro lado do mundo.
Detesto piadas à custa da “fraqueza” dos outros;
Adoro quando as pessoas, pelo contrário, habilmente mudam de assunto, brincam com as situações transformando uma situação de embaraço num momento simpático e de solidariedade.
Detesto a inveja;
Adoro a generosidade.
Detesto a frieza;
Adoro a amizade.
Detesto a característica de alguns seres humanos defenderem o seu sangue, a sua família como se existissem dois tipos de seres humanos: os que têm os seus genes e os que não têm;
Adoro quando as pessoas adoptam e ajudam desconhecidos, quando não têm medo do escuro e pessoas para quem o mundo é para correr.
Porque é que eu adoro e detesto?
Porque é que não me fico no meio termo de não sentir nada de especial, de não tomar partido, de não fazer opções?
Porque sou biliosa, nervosa, porque a minha mãe teve uma gravidez stressada, porque tenho excesso de testosterona?
Pode ser por tudo isto mas eu também quero ser assim. Ainda que corra o risco de ter inimigos. Porque os verdadeiros amigos também se fazem assim.
Detesto ver pessoas que se superiorizam às outras por terem mais escola, dinheiro, coisas, amigos ou seja lá o que for;
Adoro quando as pessoas omitem ou não exibem estas “superioridades” e ouvem, falam, olham de igual forma para todos os seres humanos.
Detesto quando as pessoas agem como se fossem o centro do mundo, não tentando ver pelo olhar do outro, pôr-se no lugar do outro;
Adoro ver seres humanos que conseguem distanciar-se de si próprios, da sua visão, do seu lugar e colocar-se do outro lado, do outro, do estranho, do vizinho, do outro clube, do outro lado da fronteira, do outro lado do ser, do outro lado do mundo.
Detesto piadas à custa da “fraqueza” dos outros;
Adoro quando as pessoas, pelo contrário, habilmente mudam de assunto, brincam com as situações transformando uma situação de embaraço num momento simpático e de solidariedade.
Detesto a inveja;
Adoro a generosidade.
Detesto a frieza;
Adoro a amizade.
Detesto a característica de alguns seres humanos defenderem o seu sangue, a sua família como se existissem dois tipos de seres humanos: os que têm os seus genes e os que não têm;
Adoro quando as pessoas adoptam e ajudam desconhecidos, quando não têm medo do escuro e pessoas para quem o mundo é para correr.
Porque é que eu adoro e detesto?
Porque é que não me fico no meio termo de não sentir nada de especial, de não tomar partido, de não fazer opções?
Porque sou biliosa, nervosa, porque a minha mãe teve uma gravidez stressada, porque tenho excesso de testosterona?
Pode ser por tudo isto mas eu também quero ser assim. Ainda que corra o risco de ter inimigos. Porque os verdadeiros amigos também se fazem assim.
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