"800 trabalhadores que a PT vais despedir! Oitocentos! Antes chamava-se TLP. Quarenta anos que eu trabalhei lá. Quarenta anos! Eram ingelêses. Uma maneira de falar delicada, uma educação. O falar, o trabalhar, o estar... Era muito grande a TLP. Muito grande que era a TLP.
A gente tem de saber estar atrás de um telefone a atender as pessoas. Eles ligavam e diziam - assim baixinho como eu estou a falar com a menina - "Bom dia, menina". Nunca mais me esquece da gargalhada de um ingelês quando eu disse "menino". "Ai quem me dera conhecer a menina que aí está do outro lado!". Que educação, que delicadeza, os ingelêses. Depois vieram os da PT com os telefones digitais... E eu, para mim, era matar-me. Gostava muito dos telefones manuais. Bonitos... A gente mexia-se com aqueles telefones... Pagavam-nos já na altura o 13º mês, não era assim que lhe chamavam, era o treze mês. Chegava à Páscoa pagavam o quatorze mês. E depois dividiam os lucros pelos funcionários! E a menina pensa que eles não tinham lucro mesmo assim? Dava ou não dava gosto trabalhar? E a gente trabalhava tanto...
Gosto em conhecê-la menina. De vez em quando é preciso recordar os tempos antigos"
domingo, 16 de março de 2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
Peça da Fábrica de Cerâmica do Senhor d'Além em homenagem a um professor de Avintes



Não resisto a transcrever esta história ilustrativa do papel e estatuto dos professores noutros tempos:
"António de Oliveira Reis era professor primário oficial em Avintes, onde morava no lugar de Cabanões, na segunda metade do século XIX. Era severo na sua actividade docente. O filho de dum cerâmico local que trabalhava na Fábrica do Senhor d'Além, em Gaia, foi castigado pelo mestre e o pai quis homenagear o professor, oferecendo-lhe uma peça singular, embora sem marca. Na frente do cangirão, está o nome do professor, ladeado pelas coroas de Portugal e do Brasil. Na tampa a que só faltam dois suportes do quadro negro, encontram-se o menino choroso, o quadro negro, o compasso, o esquadro, a secretária, o tinteiro, o ponteiro, a palmatória, o livro e a pena de escrita."
LEÃO, Manuel - A Cerâmica em Vila Nova de Gaia. Fundação Manuel Leão, Vila Nova de Gaia, 1999. Vol. II, pag. 286
terça-feira, 4 de março de 2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
Discussão conjugal
Dois corpos suspensos na Praça da Galiza. Olhos nos olhos. Olhos no infinito. Sussurros, palavras definitivas. Ombros imóveis. Adeus para sempre. Adeus até à próxima discussão.
Ensaios de Amor de Alain de Botton
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